ESCOLA ESTADUAL DEPUTADO DERVILLE ALLEGRETTI
PLANO DE AULA 6
Professor: Dayane Barbosa Carvalho Almeida
Disciplina: Sociologia
Anos (séries): 1ª série A e B do Ensino Médio.
Período/(Semana): 17/05 a 28/05/21
Suporte/Mídia para realização da aula:
CENTRO DE MÍDIA DO ESTADO DE SÃO PAULO e E-mail do professor: daycaras@gmail.com
Atividades:
Atividade de Sociologia
Texto I
Fake news e pós-verdade
“Fake News” em tradução literal significa notícia falsa. O uso corrente que essas palavras têm tido atualmente não é, porém, uma relação direta entre notícia falsa e mentira. Alguns intelectuais apontam que estamos sob o domínio do “pós-verdade”, isto é, um momento em que notícias falsas são difundidas – principalmente com o advento da internet – importando muito mais as crenças que se pretendeu solidificar do que a veracidade dos fatos em si.
Eleita pelo dicionário Oxford (referência no papel de catalogar novos termos) como expressão do ano de 2016, o termo “pós-verdade” foi definido como “relativo ou referente a circunstâncias nas quais os fatos objetivos tem menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. De forma simplificada, a utilização dessa expressão se refere à diminuição do peso dado para a verdade factual e valorização das versões de um fato com objetivo de sustentar opiniões e ideologias.
Em linhas gerais, esta ideia já era discutida por Baudrillard quando ao analisar a sociedade pós-industrial apontava que as transformações ocorridas nesse período resultaram em um mundo onde há cada vez mais informação e menos sentido. A realidade não é mais simplesmente o que acontece, mas o que é capaz de ser simulado e reproduzido. A representação estaria, portanto, precedendo a realidade.
Embora a discussão de Baudrillard já abra caminho para o entendimento do descolamento entre o real e o que é reproduzido, a expressão “pós verdade” conforme utilizada atualmente apareceu no ano de 1992 na revista “The Nation”, se projetando a partir de 2016 com a divulgação de “Fake News” em dois eventos de alcance mundial: eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA e a saída do Reino Unido da União Européia (Brexit). Nestes dois episódios, a divulgação de notícias falsas pode ter sido decisiva para o resultado final das campanhas.
Cabe ressaltar que notícias falsas sempre existiram na história da humanidade, mas há quatro causas que se relacionam e explicam esse novo fenômeno:
Descentralização da informação trazida pelas novas tecnologias de comunicação;
Ambiente de forte polarização política, que contribui para a difusão de notícias falsas para atingir o inimigo ideológico;
Crise de confiança nas instituições tradicionais favorecendo a autonomia das pessoas na busca pelas informações;
Fortalecimento de uma visão de mundo que relativiza a verdade resultado de mudanças socioeconômicas trazidas pela globalização que fragmentaram e flexibilizaram o modo de ver o mundo propiciando um pensamento mais individualista e imediatista.
Em um momento de queda em quatro grandes instituições: Empresas, Governos, ONG e Mídia, as pessoas estão mais propensas a ignorar informações que confirmam uma ideia com a qual não concordam, mostrando um desprezo pela verdade, ainda que baseado em fatos.
O grande perigo existente na fluidez da veracidade dos fatos é que a verdade não precisa ser provada, apenas afirmada. A afirmação/manipulação dos fatos para atender a determinados objetivos e ideologias foi uma estratégia muito utilizada nos regimes totalitários e que está perigosamente ganhando terreno também entre os regimes ditos democráticos.
Texto II
O perigo das fake news sobre as vacinas
Mesmo com tantos benefícios, a vacinação está sofrendo diversos ataques que têm assombrado a saúde pública brasileira: uma onda de fake news nas redes sociais tem feito com que o uso de vacinas seja contestado, temido e deixado de lado.
As notícias falsas sobre as imunizações são alimentadas pelos movimentos antivacina, que argumentam que o uso dos medicamentos pode trazer outros problemas para a saúde, não respeita a individualidade e a liberdade dos pais ou infringe princípios religiosos.
O movimento antivacina cresceu nos anos 1990, quando o médico britânico Andrew Wakefield publicou um estudo apontando uma possível relação entre a vacina tríplice viral e o desenvolvimento de autismo. Rapidamente, o medo das vacinas aumentou no Reino unido e se espalhou por todo o mundo. Apesar de a publicação já ter sido desmentida várias vezes e muitos estudos comprovarem que a teoria apresentada por Wakefield foi fraudada para exibir o resultado que ele pretendia, o movimento antivacina segue ganhando adeptos até hoje e crescendo cada dia mais.
As redes sociais, que são fonte de informações para a grande maioria dos brasileiros, dão ainda mais força para o movimento, uma vez que facilitam o compartilhamento de conteúdos fraudulentos que deixam a população desorientada.
Em entrevista para o programa “Bem Estar”, da Rede Globo, a epidemiologista franco-americana Laurence Cibrelus, chefe da estratégia de combate à doença na Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que as fake news estão influenciando a meta de vacinação no Brasil e explicou que atualmente o índice ideal de vacinação seria de 80% da população, mas que apenas 55% foram imunizados.
Doenças estão voltando por falta de vacinas
O crescimento da ideologia antivacina, alimentado pelas fake news nas redes sociais, fez com que diversas doenças que já eram consideradas erradicadas voltassem a aparecer na população brasileira.
O sarampo, por exemplo, era tratado como eliminado no Brasil em 2016, mas em 2018 voltou a oferecer perigo para a população, e dados da OMS apontam até para um possível surto no País. O aumento do número de casos de poliomielite (paralisia infantil), difteria e rubéola também mostra o perigo que a falta de vacinação pode oferecer para a sociedade.
O combate às fake news sobre vacinas
O Ministério da Saúde garante, com respaldo técnico de equipes especializadas, que as vacinas são seguras e que o resultado obtido não se resume a evitar doenças, mas sim a salvar vidas. Por isso é recomendado que as pessoas não deem atenção para fake news de nenhuma natureza, principalmente da área da saúde.
Para tentar combater o problema, o órgão criou o programa Saúde Sem Fake News, no qual recebe conteúdos suspeitos pelo número de WhatsApp (61) 9289-464, checa a veracidade das informações, responde ao leitor que entrou em contato e publica o resultado no site: http://www.saude.gov.br/fakenews.
Após a leitura dos textos, responda as perguntas:
Quais são os riscos da disseminação de notícias falsas?
Houve algum efeito concreto das notícias falsas? Ata de vacinação caiu? O número de casos de alguma doença subiu?
Nos casos em que houve efeitos concretos, que falsas provocaram essa situação?
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